Power bank parece compra simples: pega o de mais mAh e pronto. Na prática, o número grande na caixa engana. O que decide se ele vai salvar o seu dia é a energia real (Wh), a potência de saída (W), o padrão de carregamento e, se você vai viajar de avião, as regras de bateria de lítio, que mudaram em 2026.
Este guia explica cada ponto sem enrolação, para você sair de Foz ou de Ciudad del Este com o modelo certo.
mAh × Wh: por que o número da caixa não é o que chega no celular
O mAh indica a carga das células internas, que trabalham a cerca de 3,6–3,7 V. Já o celular recebe energia a 5 V, 9 V ou mais, e toda conversão perde um pouco em calor. Por isso um power bank de 10.000 mAh não carrega um celular de 5.000 mAh duas vezes.
A medida que não engana é o Wh (watt-hora):
Wh = mAh × tensão ÷ 1.000
| Capacidade na caixa | Energia aproximada | Cargas em um celular de 5.000 mAh* |
|---|---|---|
| 5.000 mAh | ~18,5 Wh | ~0,6 |
| 10.000 mAh | ~37 Wh | ~1,2 |
| 20.000 mAh | ~74 Wh | ~2,4 |
| ~27.000 mAh | ~99 Wh | ~3,2 |
*Estimativa considerando perdas típicas de conversão. Varia com o celular, a temperatura e o uso durante a carga.
Um exemplo real ajuda: a própria Xiaomi informa que um power bank de 10.000 mAh da marca tem capacidade nominal de 5.600 mAh a 5 V e carrega um iPhone 13 cerca de 1,9 vez. Ou seja, mais ou menos 60% do número da caixa chega ao celular. Use essa regra como ponto de partida.
Qual capacidade escolher
- 10.000 mAh: o equilíbrio para o dia a dia. Cabe no bolso, pesa pouco e dá ao menos uma carga completa. O Xiaomi Power Bank 10000 mAh é o tipo de modelo que resolve para a maioria.
- 20.000 mAh: para viagem, dia inteiro fora, fim de semana sem tomada ou para carregar celular e fone juntos. O Xiaomi Power Bank 20000 mAh pesa mais, mas dá duas a três cargas.
- Acima de 25.000 mAh: só faz sentido para notebook. Atenção: passa perto do limite de 100 Wh do avião.
Potência: W, PD e PPS
Capacidade é o tamanho do tanque; potência é a largura da mangueira. Um power bank de 20.000 mAh que só entrega 10 W vai demorar horas para carregar um celular que aceita 25 W ou mais.
- USB-C PD (Power Delivery): o padrão universal. Serve para iPhone, Samsung, Xiaomi, Motorola, fones, tablets e notebooks. Priorize power bank com saída USB-C PD.
- PPS (Programmable Power Supply): extensão do PD que ajusta a tensão em passos finos. É o que a Samsung usa no Super Fast Charging. Sem PPS, um Galaxy carrega, mas mais devagar.
- Potência de saída: 20 W atendem iPhone e a maioria dos intermediários. 25–30 W aproveitam melhor Galaxy e iPhones recentes. 45 W ou mais só compensam para tablet e notebook.
- Recarga do próprio power bank: veja a potência de entrada. Um de 20.000 mAh com entrada de 18 W leva bem mais tempo para encher do que um com entrada de 30 W. Aqui, um carregador como o Anker Nano 30 W ou o UGREEN Nexode 65 W faz diferença.
Carregamento proprietário não passa pelo power bank
HyperCharge (Xiaomi), TurboPower (Motorola) e outros sistemas de 67 W, 90 W ou 100 W funcionam com o carregador original da marca. Em power bank comum, o celular cai para o padrão PD e carrega em velocidade menor. Não é defeito.
MagSafe e Qi2: sem fio vale a pena?
Os power banks magnéticos grudam na traseira do iPhone e carregam sem cabo. Em 2026, o padrão Qi2 leva essa ideia também para Android. Segundo a Apple, o iPhone 17 aceita Qi2 e MagSafe de até 25 W, e o Galaxy S26 Ultra tem Qi2.2 de 25 W, mas o power bank precisa suportar essa potência para chegar lá.
Prós e contras:
- Prós: praticidade, dá para usar o celular enquanto carrega, sem cabo sobrando.
- Contras: carregamento sem fio perde mais energia (esquenta mais e rende menos cargas) e a capacidade costuma ser de 5.000 a 10.000 mAh.
- Capinha importa: com capinha grossa comum, o ímã não segura. Use uma capa com anel magnético, como a Spigen Ultra Hybrid MagFit.
Para quem usa Android sem ímã embutido, a capinha magnética também resolve.
Como levar power bank no avião em 2026
Aqui mudou coisa. O guia de 2026 da IATA para passageiros, baseado nas instruções técnicas da OACI, traz estas regras para power banks:
- Só na bagagem de mão. Power bank é proibido na mala despachada.
- Até 100 Wh. Power banks entre 100 e 160 Wh, que antes podiam ir com autorização da companhia, agora aparecem como proibidos na tabela da IATA. Acima de 160 Wh, só como carga.
- No máximo dois power banks por passageiro.
- Não recarregar o power bank na tomada do avião.
- Não guardar no bagageiro de cima e não usar para carregar outros aparelhos durante taxiamento, decolagem e pouso.
A IATA avisa que as companhias podem ser mais restritivas. A ANAC, por sua vez, orienta sempre consultar a companhia aérea antes do voo, porque a decisão final no embarque é dela e do agente de segurança.
Dicas práticas para o aeroporto
- Confira o Wh na etiqueta. Se só tiver mAh, faça a conta: 20.000 mAh × 3,7 V = 74 Wh, dentro do limite.
- Leve na embalagem original ou proteja os contatos para evitar curto.
- Não viaje com power bank estufado, amassado ou que esquenta sem motivo.
- Se a mala de mão for despachada no portão, tire o power bank antes.
Como não errar na compra
- Defina o uso: bolso (10.000 mAh) ou viagem (20.000 mAh).
- Exija USB-C PD; se tem Galaxy, prefira com PPS.
- Veja a potência de saída e a de entrada.
- Confirme o Wh na etiqueta, se você voa.
- Desconfie de capacidade absurda em aparelho leve demais: bateria de verdade tem peso.
Se ficou em dúvida entre dois modelos, consulte o preço pelo WhatsApp e peça para a nossa loja comparar as especificações de saída de cada um.
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