Ciudad del Este continua sendo um dos lugares mais procurados por brasileiros para comprar celular, fone, power bank e acessórios. Mas a economia só vale se você voltar pela Ponte da Amizade sem susto na Receita Federal.
Este guia resume as regras vigentes em setembro de 2026, conferidas no Guia do Viajante da Receita Federal, e fecha com dicas práticas de compra.
A cota de isenção por via terrestre: US$ 500
Quem entra no Brasil por via terrestre, fluvial ou lacustre tem cota de isenção de US$ 500 para bens que não sejam de uso pessoal. Por via aérea ou marítima, a cota é de US$ 1.000. As regras principais:
- É individual e intransferível. Não dá para somar a cota do marido, da esposa ou dos filhos para trazer um único produto mais caro.
- Vale uma vez a cada 30 dias, contados da chegada da última viagem internacional, tendo pago imposto ou não.
- Menores de 18 anos têm cota, desde que os bens sejam compatíveis com a idade.
- Presente conta. Bem comprado para dar a alguém entra na cota como qualquer outro.
- Encomenda para terceiros não é bagagem. Trazer produto a pedido de outra pessoa fica fora do conceito e pode dar problema.
O que entra (e o que não entra) na cota
Ficam fora da cota os bens de uso ou consumo pessoal: roupas, itens de higiene e objetos de caráter manifestamente pessoal, usados e compatíveis com a viagem. A Receita cita como exemplo um celular usado, um relógio usado e uma câmera usada.
Já notebook, tablet, filmadora e computador não são considerados de uso pessoal, mesmo que sejam para você. Eles entram na cota.
E o celular novo comprado no Paraguai?
Aqui mora a maior dúvida. A resposta oficial da Receita tem nuances:
- Se o celular novo for o único que você tem e estiver em uso durante a viagem, ele pode ser considerado bem de uso pessoal, isento.
- Se você saiu do Brasil com o seu celular e comprou outro, o novo não é considerado compatível com a viagem, mesmo que já esteja usando. Ele entra na cota (salvo se o antigo tiver defeito comprovado).
- Para quem faz bate-volta, sem pernoite, a Receita diz que só roupa e itens de higiene são compatíveis com a viagem como uso pessoal.
Resumo prático: no bate-volta a Ciudad del Este, conte o celular novo dentro dos US$ 500. Um Samsung Galaxy A37 ou um Redmi Note 15 Pro+ costuma caber com folga; modelos topo de linha como o iPhone 17 ou o Samsung Galaxy S26 Ultra podem passar da cota sozinhos, então faça a conta antes.
Limites de quantidade na fronteira terrestre
Além do valor, existem limites de unidades para a isenção. Por via terrestre:
| Tipo de bem | Limite |
|---|---|
| Bens acima de US$ 5 (cada) | até 10 unidades, no máximo 3 idênticas |
| Bens abaixo de US$ 5 (cada) | até 20 unidades, no máximo 10 idênticos |
| Bebidas alcoólicas | 12 litros no total |
| Cigarros | 10 maços de 20 unidades |
Na prática: três capinhas iguais ou três power banks iguais é o teto. Passou disso, perde a isenção sobre o excesso. E quantidade que pareça revenda pode levar à perda dos bens.
O que acontece se passar da cota
Passou de US$ 500, você paga 50% de imposto sobre o valor que excedeu a cota. Exemplo: compras de US$ 700 geram US$ 200 de excedente e US$ 100 de imposto.
Para isso, é obrigatório preencher a e-DBV (Declaração Eletrônica de Bens do Viajante):
- Acesse o sistema e-DBV no site da Receita (ou nos terminais de autoatendimento) e informe os bens.
- O sistema calcula o imposto usando o câmbio do dia da transmissão.
- O pagamento é por DARF, com boleto ou PIX.
- Na fronteira terrestre, a liberação automática da e-DBV ainda não vale (segundo a Receita, ela começou só para quem chega de avião). Conte com a apresentação à fiscalização.
E se você passar pelo "Nada a declarar" com compras acima da cota? A Receita trata como declaração falsa: multa de 50% do valor excedente, além do imposto. Declarar é sempre mais barato do que ser pego.
Guarde a nota fiscal (factura) de tudo. O imposto é calculado sobre o valor de compra, e sem nota a fiscalização pode arbitrar o valor.
Dicas para comprar em Ciudad del Este
- Pesquise o modelo exato antes de ir. Versões globais e regionais podem mudar a memória, as bandas 4G/5G e o carregador na caixa.
- Confira a caixa lacrada e o IMEI. O número na caixa deve bater com o do aparelho (disque *#06#). Depois, consulte a situação do IMEI no programa Celular Legal da Anatel.
- Teste na loja: tela, câmeras, chip, Wi-Fi e carregamento.
- Leve os acessórios na mesma compra. Carregador compatível e película já no primeiro dia evitam dor de cabeça. Um Xiaomi Power Bank 20000 mAh também ajuda na volta, que pode ter fila.
- Some tudo em dólar antes de sair da loja, para saber se ficou dentro dos US$ 500.
- Pagamento no cartão brasileiro tem IOF; compare com dinheiro.
- Desconfie de preço muito abaixo do mercado: réplica é comum em rua e galeria.
Quer saber se o modelo que você procura cabe na cota? Consulte o preço pelo WhatsApp antes de atravessar a ponte.
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